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09 março 2013

Como sairei desse labirinto?

Pois todos os que já perderam o rumo na vida se sentiram perturbados com a insistência dessa pergunta. Em algum momento, todos nós olhamos em volta e percebemos que estamos perdidos num labirinto.

Nome: Quem é Você Alasca?
Autor: John Green
Páginas (livro impresso): 229
Lido como ebook

"Somos capazes de sobreviver a essas coisas horríveis, pois somos tão indestrutíveis quanto pensamos ser. Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.” (trecho do livro).

Depois de ler "A Culpa é das Estrelas" fiquei com muita vontade de ler o primeiro romance do escritor, publicado aqui no Brasil como "Quem é Você Alasca?" Então finalmente consegui o ebook e li o livro em uma noite, impossível parar! Não chega a ser tão bom quando "A Culpa é das Estrelas", por exemplo, o começo eu achei meio chato, mas depois que eu conheci os personagens melhor, principalmente quem conta a história (que é um menino) eu passei a gostar e não parei de ler mais. 

A história mistura elementos adolescentes, com clichês comuns dessa época, e pensamentos mais complexos, como os romances mais adultos. Tem partes engraçadas, que dei risada, e partes muito tristes, que chorei de verdade (eu costumo 'entrar' nas histórias de verdade, então tenho crises de risada, choros, ódio, amor, etc, dependendo da história). Por trás de uma história adolescente tem um grande drama psicológico, são partes que faz você refletir de verdade. É isso que eu adoro no John Green, ele consegue misturar o adulto com o jovem, o engraçado e irônico, e é fiel a nossa realidade, ou seja, nem sempre as coisas dão certas, os personagens tem defeitos e qualidades e o amor é incerto, como na vida.

A história é contada por um menino, chamado de Miles Halter, depois apelidado de Gordo, um apelido irônico porque ele era muito magro, de 16 anos. No começo isso me desanimou porque achei que o personagem poderia ser muito infantil, mas ele é muito adulto para a idade, tem uma grande percepção de tudo ao seu redor e não se prende aos problemas de adolescentes comuns em livros nesse estilo. Gostei da visão de um menino sobre as coisas, como por exemplo, as partes em que ele conta sobre seu corpo e seu primeiro sexo oral. É ele quem faz as reflexões sobre os outros personagens, mas com Alasca, uma menina que conhece no colégio interno, ele tem dificuldade em entende-la, como se ela fosse várias pessoas em uma só. Eu gostei da Alasca, ela parece tão real, com problemas tão verdadeiros que é impossível não imaginá-la como sendo real. Mas quando eu digo que gostei dela não quer dizer que ela seja aquele personagem perfeita, apenas é única, quase real, e é isso que espero de personagens.

"Às vezes, não entendo você", eu disse.
Ela nem mesmo olhou pra mim. 
Apenas sorriu para a tevê e disse:
"Você nunca me entende. Essa é a graça."
trecho do livro

Existem livros que te atingem emocionalmente, os meus preferidos, e esse com certeza faz parte desses. Virou um dos meus livros favoritos, e recomendo para todos a leitura, e que não se deixem levar pela impressão que é apenas um livro adolescente, na verdade, para entender realmente a história e os personagens você precisa ter uma grande percepção e conhecimento psicológico ou não irá compreender as 'entrelinhas' e poderá achar apenas uma história jovem clichê. Leia o drama psicológico e entenda (ou não), mas sinta, entre na história ou não conseguirá compreende-la. 

Trechos:

"Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar este futuro é o que nos impulsiona para frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente”. (Resumo da minha vida)



"Alasca terminou o cigarro e atirou no rio:
- Por que você fuma tão depressa? Perguntei.
Ela me olhou e abriu um sorriso largo, e um sorriso assim tão largo em seu rosto estreito talvez lhe desse um ar meio tolo não fosse a inquestionável elegância de seus olhos verdes. Ela sorriu com todo o encantamento de uma criança na noite de Natal e disse:
-Vocês fumam para saborear. Eu fumo para morrer”.

Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão.

E se você já leu o livro, vale a pena assistir esse vídeo, em que o escritor mostra os lugares que descreveu no livro. No vídeo ele conta que era parecido com o Miles (personagem que conta a história no livro) e que usou como base os lugares que frequentava quando estudava em uma escola interna no Alabama.

 

*título do post é um trecho do livro

13 fevereiro 2013

Houve um tempo

Houve um tempo em que os homens eram gentis
Quando suas vozes eram suaves
E suas palavras convidativas
Houve um tempo em que o amor era cego
E o mundo era uma música
E a música era excitante
Houve um tempo… e de repente tudo ficou errado
Eu sonhei um sonho em um tempo passado
Quando as esperanças eram grandes e a vida valia ser vivida
Eu sonhei que o amor nunca acabaria
Eu sonhei que Deus seria misericordioso.
Eu era jovem e não tinha medo
Quando os sonhos eram realizados e usados e jogados fora
Não havia resgate a ser pago
Nenhuma música sem ser cantada, nem vinho não degustado.
Mas os tigres vêm a noite,
Com suas vozes suaves como trovão,
Enquanto eles despedaçam sua esperança
Enquanto eles tornam seus sonhos em vergonha
Ele dormiu um verão ao meu lado.
Ele preencheu meus dias com maravilhas sem fim,
Ele levou minha infância em seu passo
Mas ele se foi quando o outono veio.
E ainda assim eu sonhei que ele voltaria para mim
E que viveríamos os anos juntos,
Mas existem sonhos que não podem ser sonhados
E existem tempestades que não podem passar.
Eu tive um sonho que minha vida seria
Tão diferente deste inferno que eu vivo
Tão diferente agora do que parecia ser
Agora a vida matou o sonho
Que eu sonhei
Os Miseráveis - Victor Hugo (resenha em breve).

12 fevereiro 2013

Vocês não sabem o que é ter olhos em um mundo de cegos

Eu diria que é um clássico. Com certeza você já ouviu falar desse livro e do escritor dele, José Saramago, e tenho quase certeza que você não leu porque pensou ser chato e diferente dos livros que estão fazendo sucesso ultimamente. Esqueça essa merda e leia esse livro! Sim, a linguagem é mais complicada, eu por exemplo, li na versão de português de Portugal e havia algumas palavras estranhas, sem parágrafos e assim vai, isso me irritou, mas o livro fez valer a pena.

Livro: Ensaio Sobre a Cegueira
Escritor: José Saramago
Páginas: 310
Nota (de 1 à 5): 4

Dizem os críticos, que o livro é deprimente, e sim, ele é, e esse fato só melhora a história, só a torna mais real. Livros tem que te atingir de alguma forma, seja aquele romance engraçado que lhe provocou risos ou como no caso desse livro que fez você pensar, refletir, sentir que o mundo é uma droga, etc. Eu gosto de textos deprimentes, crus e reais, sem fantasias de perfeições ou alegrias. 

Ensaio sobre a cegueira é uma crítica de uma sociedade cega, egoísta e, ainda, animal. Mostra como o homem pode ser mesquinho e esquecer todos os valores apenas por ambição e poder. Eu chamo livro de abstrato, porque é para ser interpretada além da história original, é para entender os reais significados e valores que a história literal conta.

Tudo começa com uma doença, é a cegueira, e aos poucos todos vão ficando cegos, como uma epidemia. O ser humano não sabe lidar sobre pressão, então galera vai ficando louca mesmo, se tornando quem realmente são embaixo de todo aquele verniz civilizado. Apenas uma pessoa continua com a visão, e ela faz o que todos nós fizemos e fazemos, se faz de cega. Ela faz coisas idiotas e se humilha só porque estava fingindo ser como os outros, todos cegos. Ela é a unica que consegue ver toda a podridão que está ocorrendo e sabe que é errado, mas continua na sua farsa. 

Você também se faz de cego todo dia, eu também, vivemos cegos a maior parte de nossas vidas. E no livro, ao contrário do ditado "em terra de cego, quem tem olho é rei", os poucos que conseguem realmente ver preferem e fingem sua cegueira. O livro questiona e mostra outros tipos de cegueira, como a falta de esperança, amor, justiça, etc. O livro vai questionar e mostrar toda a merda que você é, que nós somos.

Não somos bons, não somos civilizados ou sequer temos senso de justiça, ainda lutamos com os desejos primitivos e emoções. É isso que o autor quer que você perceba e reconheça, sem mentiras. Os valores estão errados, estamos todos de olhos fechados sem perceber, e o que o livro tenta é fazer você refletir sobre isso, abrir os olhos e finalmente ver.

Alguns trechos:


Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade.

Alegria e tristeza não são como óleo e água. Elas coexistem¨

- Cabelo preto, olhos castanhos…- Não quero saber como você é.- Então como vamos nos reconhecer?- Conheço a parte dentro de você que não tem nome. E é quem somos.

Não achou resposta, as respostas não vêm sempre que são precisas, e mesmo sucede muitas vezes que ter de ficar simplesmente à espera delas é a única resposta possível.

Nunca se pode saber de antemão de que são capazes as pessoas, é preciso esperar, dar tempo ao tempo, o tempo é que manda, o tempo é o parceiro que está a jogar do outro lado da mesa, e tem na mão todas as cartas do baralho, a nós compete-nos inventar os encartes com a vida, a nossa.
As palavras são assim, disfarçam muito, vão-se juntando umas com as outras, parece que não sabem aonde querem ir, e de repente saem, simples em si mesmas, um pronome pessoal, um advérbio, um verbo, um adjectivo, e aí temos a comoção a subir irresistível à superfície da pele e dos olhos, a estalar a compostura dos sentimentos, às vezes são os nervos que não podem aguentar mais, suportaram muito, suportaram tudo, era como se levassem uma armadura.

Por que foi que cegamos? Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão. Queres que te diga o que penso? Diz, Penso que não cegamos,  penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que, vendo, não vêem.

Cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança.

Se antes de cada ato nosso, pudéssemos prever todas as consequências dele, e pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis… Não chegaríamos sequer a mover-nos porque o nosso primeiro pensamento nos teria feito parar!

É que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos.

*Imagens daqui.

11 fevereiro 2013

Pode me ajudar a viver como a pessoa que realmente sou?

Me rendi ao ler Cante Para Eu Dormir. Foi um livro que acabou com as minhas barreiras, que quebrou minha realidade e me atingiu, e eu que não gosto muito de dramas repetitivos me vi conquistada por esse drama em particular. Não me entendam mal, não é que eu não goste de bons dramas, na verdade um bom e estruturado drama e suspense que da vida a um livro, mas existem dramas daqueles do tipo "sessão da tarde", muito romance sem graça, muita repetição de clichês e assim por diante, são esses que eu não gosto e confesso que antes de começar a ler esse livro eu quase achei que poderia ser um livro nesse estilo. Não é. 

O drama é bem formado, os textos são bem feitos, os personagens, principalmente a protagonista, é extremamente real, e cada sentimento é dito de uma forma que acabamos sentindo isso também.


Livro: Cante Para eu Dormir
Autor: Angela Morrison
Páginas: 353
Editora: Pandorga
Nota( de 1 à 5): 5
Lido como ebook

O livro conta a história de Beth, que desde criança sofreu muito bulling e foi considerada diferente e feia por seus colegas, isso a deixa com uma auto estima extremamente baixa, e ela simplesmente aceitava os insultos por achar que merecia. Essa primeira parte do livro me deu raiva, em parte porque sei que isso acontece, sei que é real, em outra porque também sei o que é auto estima baixa. Eu queria socar todos aqueles colegas dela, sério. 

Mas Beth, ao contrário de muita gente, se reergueu, se reconstruiu, não só fisicamente, mas mentalmente, e tudo devido a sua linda voz. Na metade do livro tem umas partes meio chatinhas, por exemplo, fala muitas coisas sobre música, detalhes que alguns leigos (como eu) podem não entender ou achar entediante, mas nada que prejudique a história ou chegue a tirar a atenção do leitor. E os capítulos finais é que são realmente tristes, como uma facada, se você realmente está dentro da história não tem como não se emocionar. É incrível esse poder que alguns livros tem, de te tirar da realidade e te provocar uma tristeza e saudade tão profunda com os personagens que o final de um livro vira uma depressão por saber que acabou. Cante para eu Dormir é um desses livros e obviamente virou, junto com outros títulos, um dos meus livros favoritos.

Se você não curte drama e prefere mais fantasia, etc, acho que esse não é o livro que você irá amar, mas se você gosta de livros reais, sentimentais, impactantes, como eu, então esse livro com certeza será perfeito para você! Eu li tudo em apenas uma madrugada, mas não façam isso a menos que queiram ter uma dor de cabeça terrível no outro dia.


Alguns trechos:

Você pode ser o garoto que me salvará?
Pode ser o garoto que me fará cantar?

Pode me ajudar a viver como a pessoa que realmente sou?

Se for embora, leve-me com você,
Pegue a minha mão.
Se for embora, leve-me com você,
Pegue a minha mão.

- Seu coração. É tudo que quero. É a melhor coisa que você pode me dar.
 - Você o roubou antes mesmo de nos conhecermos.
 - Não quero ser uma ladra. Quero que seja dado por você. Seus braços me apertam e sua boca toca a minha outra vez.
 - É seu, Beth - suas palavras fluem em minha alma e me entrelaçam em um monte de nós. 
- Você sabe que é seu.


Ele me deixa assustada. Eletrizada. Confunde totalmente meu senso de direção. No alto das árvores. No chão. Nas luzes do palco. Em seus braços. Não faço ideia de onde estou.

O amor pode acompanhar seus pensamentos para sempre,
Como uma linda canção,
Repleta de saudades.

Gosto do fato de você não saber o quanto é boa, o quanto é linda e o quanto é pura e sincera.


* Título do post foi retirado do livro.

Living Dead Girl

Living Dead Girl é um livro de Elizabeth Scott, aqui no Brasil tem a tradução de Menina morta-viva e já está disponível para venda. É uma leitura pesada, crua, real, o estilo de escrita que mais aprecio, porque me faz sentir, e quando se trata de livros e histórias acredito que os melhores livros são aqueles que mexem conosco, seja da forma engraçada, triste, etc. E foi isso que aconteceu com esse livro. Primeiro temos um tema tabu, embora recorrente infelizmente na nossa realidade, que é a pedofilia, é um tema que pode ser muito explorado e não serve apenas como informação, mas como ensino pois pedofilia não é um vampiro ou uma bruxa, ela é real e provavelmente está mais perto do que você imagina.

Título: A Menina Morta-Viva
Autor: Elizabeth Scott
Páginas: 172
Nota (de 1 à 5): 4
Lido como ebook.


A história é narrada por Alice (que na verdade não é o nome dela, mas não vem ao caso) que é uma adolescente de 15 anos que havia sido raptada aos 10 anos e vivia desde então com seu sequestrador que a estuprava e a feria psicologicamente e fisicamente todos os dias.

A escrita são como os pensamentos dela, e como alguém que foi violado desde criança você pode imaginar que não é algo bonito, seus sentimentos se confundem e em alguns momentos não deixei de pensar que a maldade parece uma doença, ela já estava com seus pensamentos tão confusos que muitas vezes chegava a ter algumas características e pensamentos do seu próprio sequestrador, que por sua vez, era um homem muito perturbado  havia sido também molestado e ferido quando criança, dava para sentir a maldade dele, como se ele fosse apenas isso e cada vez que estuprava Alice, ele passava um pouco disso para ela e ela sabia isso, sentia isso e também confessava seus sentimentos sombrios, como o de ajudar a capturar outra garotinha para seu sequestrador para que ele estuprasse essa garotinha em vez dela. Embora ela sentisse o mal e como estava ferida psicologicamente e mesmo com tanta tristeza e maldade no livro, ela consegue fazer sua escolha (que eu contaria aqui mas daí vou acabar contando um dos principais fatos do livro).

Não é um livro longo, na verdade esse foi um ponto que não gostei, os capítulos são pequenos e enquanto alguns momentos são descritos com detalhes outros são meramente mencionados. Alguns fatos são repetitivos, mas não é algo que eu critique exatamente já que uma menina perturbada iria ter pensamentos conturbados e repetitivos também, uma narrativa perfeita estragaria o tom real do livro. 

O final poderia ter sido mais explorado, e quando você acaba pensa 'droga, esse é o fim?', mas depois vem aquele pensamento 'o fim combina com o resto do livro, talvez um fim mais elaborado estragasse a crueza da história no geral'. Acho que a autora poderia fazer uma continuação no mesmo estilo, mas acho que não será o caso desse livro, geralmente eles são únicos  como se escrever mais fosse romper a história ou algo assim, em alguns casos pode ser, em outros não.

"A escuridão estava pressionando contra meu corpo como o Ray faz durante a noite. Impossível de parar. A noite é assim. O Ray é assim. E não sou nada contra eles. Contra ele. Eu nunca fui. A pequena Alice, completamente vazia, tão fácil de ser quebrada em milhões de pedaços. Eu já fui quebrada e remendada tantas vezes que nada mais funciona direito."  

Como percebem pelo trecho acima, não existe palavras sexuais e atos detalhadamente explícitos  mas deixa claro o que está acontecendo e o que a menina sentia no momento, e isso torna o livro mais perturbador ainda.

" - Você vai vir para casa? 
- Eu vou para casa. - Eu falei. 


E foi quando eu soube que nunca mais iria para casa, aquela era somente uma palavra, que não significava nada. Naquela época eu senti o que era uma perda, e foi como morrer. Eu estava morrendo, e quando Alice nasceu, aquela pequena garota de contos de fada, que há muito tempo eu fui, desapareceu. Ela se tornou uma história, uma que quase esqueci completamente. Uma que não posso terminar, por que ela morreu há muito tempo atrás."  

Esse trecho foi um dos que mais mexeram comigo, perceba o momento em que a escuridão nasce dentro dela, em que a infância e inocência foi roubada, dá pra sentir  com ela isso, a própria morte estando viva. Ela mesma se auto divide em duas pessoas, a pessoa que ela era antes de ser raptada e a que ela se tornou agora, como se fossem duas pessoas distintas.

Sinopse: Era uma vez, eu era uma menininha que desapareceu.
Era uma vez, o meu nome não era Alice.

Era uma vez, eu não sabia como tinha sorte.
Quando Alice tinha dez anos, Ray levou-a de sua família, seus amigos, de sua vida.
Ela aprendeu a desistir de todo poder para suportar toda a dor. 
Ela esperou que o pesadelo acabasse.
Alice agora tem quinze e Ray ainda a mantem com ele, mas ele fala mais e mais da sua morte.
Ele não sabe que isso é o que ela anseia.
Ela não sabe que ele tem algo mais assustador do que a morte em mente para ela.
Esta é a história de Alice.
É uma que você nunca ouviu falar, e que você nunca, jamais esquecerá.

A sinopse é muito boa também, foi isso que me atraiu em um primeiro momento pois dá pra perceber que se trata de um livro forte, real, cru e confuso, que nessa história contribuiu para melhorá-la, uma história linear e pensamentos limpos transformaria a história em uma fraude pois a narradora sendo uma pessoa perturbada emocionalmente a sua narrativa também deve ser, e nisso a autora acertou em cheio.


Foi um dos melhores livros que li, vocês podem achar estranho o fato de um livro tão pesado me agradar, mas não é isso, é a narrativa, os sentimentos, a realidade. Não existe fantasias, não existe romances nem finais perfeitos, apenas a realidade confusa de uma menina machucada. É o tipo de livro que te tira do seu mundo e transporta para os sentimentos do protagonista, a maioria não gosta disso, já eu é uma das coisas que mais valorizo nos livros, o fato de me fazer sentir o drama, ou a piada ou a tristeza, não importa, apenas que me faça sentir.

10 fevereiro 2013

*A escrita não ressuscita. Ela enterra*

Como estou em uma fase de ler muito e escrever pouco (na verdade eu nunca escrevi muito, só penso demais, e as vezes consigo organizar as idéias em um texto, mas na maioria das vezes não) resolvi falar um pouco dos muitos livros que leio, além de resenha terá trechos que achei interessante, etc. Na verdade sempre quis fazer algo assim para ter para eu mesma uma lembrança dos livros lidos, gosto de ter anotado e organizado porque geralmente me atrapalho depois em conseguir lembrar de alguns livros, e acabo esquecendo aquele sentimento que tive ao ler aquele livro em especial, então escrever aqui será a melhor maneira de manter isso comigo. 

Vou começar com um livro que me marcou bastante, acabei de ler ontem e foi, sem dúvidas, um dos melhores livros que já li, segue as informações:


Título: A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Nota (de 1 à 5): 5
Lido como ebook.

Sinopse: A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.



Para ser sincera eu não apostava muito nesse livro, sei que seria bom pela quantidade de críticas positivas que li, mas pela sinopse pensei se tratar de um romance adolescente demais e que não me agradaria, já que não curto muito romances fofos e muito drama sem nexo,. Me enganei feio! E eu adorei ter me enganado, na verdade esse é a melhor coisa de se ler um livro, é aquele sentimento de 'poxa, eu estava errada' e 'merda, to viciada nesse livro', esse tipo de coisa. 

No caso desse livro, comecei amando desde a primeira página. Adoro livros narrados em primeira pessoa, e gosto ainda mais quando o personagem principal, quem conta a história, é fiel à seus próprios sentimentos, falando palavrão e admitindo seus pensamentos mais profundos ou que seriam errados, e esse é o caso da personagem que conta a história, a Hazel Grace. Ela tem uma vida de merda na verdade, tem câncer e tem plena consciência que irá morrer logo, ela não fantasia isso, e muitas vezes admite a vontade de morrer e desaparecer logo, é sincera consigo mesma e consegue fazer piadas e ironia da própria vida, e essa ironia é o diferencial nessa história, existe partes muito engraçadas, partes que você vai morrer de vergonha também, enfim, não é só tristeza, na verdade ela só aparece mais no final, mas então vem tão forte que é melhor você estar preparado.

O outro personagem, que faz par com a Hazel, é o Augustus (Gus), é outro muito parecido com a própria Hazel e também doente, engraçado e irônico. É um daqueles personagens que acabamos desejando que se torne real, porque a maneira retratada dele nos faz quase sentir como se realmente fosse. Queria falar mais mas não quero estragar e contar demais.
Tem imagens muito legais na internet feita por fãs, a que eu mais gostei e ficou perto da imagem que eu mesma fiz dos personagens, foi essa:


O que eu mais gostei do livro? A sinceridade do personagem, a maneira em que o autor do livro conseguiu misturar tantos sentimentos em apenas uma história, é alegria e tristeza genuína, não é forçado, e a ironia torna tudo muito melhor pois a visão do câncer e da história de amor foi narrada de maneira diferente por causa desse diferencial. A 'mocinha' não é uma coitadinha 'água com açúcar'  ela é quase real, com defeitos e qualidades. Também adorei o final, mesmo muitos dizendo que deveria ter uma continuação, eu acho que não, o livro é fiel a sua história, não fantasia milagres ou finais felizes, é simplesmente real, não sei descrever melhor que isso. Na verdade, o final é a melhor parte se tratando de emoções, chorei muito e quando acontece isso é porque o livro conseguiu me tirar da minha realidade e me fez sentir cada linha, cada palavra, e na minha opinião de leitora, é esse o objetivo de todos os livros.

Alguns dos melhores trechos do livro:

Não dá para escolher se você vai ou não se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo.

Contei ao Augustus a versão resumida do meu milagre: diagnosticada com câncer de tireoide em estágio IV aos treze anos. (Não contei que o diagnóstico veio três meses depois da minha menstruação. Tipo: Parabéns! Você já é uma mulher. Agora morra.).

Nada é fácil nisso tudo para nenhum de nós, mas é preciso levar a vida com algum humor.

O verdadeiro amor, nasce em tempos difíceis.

“Alguns infinitos são maiores que outros.”

Aparentemente, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos.

Queria não ser uma granada, não ser uma força malévola nas vidas das pessoas que amava.

Sem dor, como poderíamos reconhecer o prazer? A existência do brócolis não afeta em nada o gosto do chocolate.


Ele não era perfeito nem nada. Ele não era um príncipe encantado de conto de fadas, e tal. Tentava ser assim às vezes, mas eu gostava mais dele quando essas coisas desapareciam.

Você está tão ocupada sendo você mesma que não faz ideia de quão absolutamente sem igual você é.

-Sinto muito — falei de novo.
-Eu também — ele disse.

-Não quero nunca fazer uma coisa dessas com você — falei para ele.

-Ah, eu não ia me importar, Hazel Grace. Seria uma honra ter o coração partido por você.

E se a vida for feita de momentos? E se nós não agarramos o momento? E se outro momento nunca vier?

Parecia que tinha sido, tipo, há uma eternidade, como se tivéssemos vivido uma breve, mas infinita, eternidade.



Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como Uma Aflição Imperial, do qual você não consegue falar - livros tão especias e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição.

[…] a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.

Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. […] Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre.

Meus pensamentos são estrelas que não são capazes de penetrar nas constelações.



[...] e nunca Shakespeare esteve tão equivocado como quando fez Cássio declarar: “A culpa, meu caro Bruto, não é de nossas estrelas / Mas de nós mesmos.” Fácil falar quando se é um nobre romano (ou Shakespeare!), mas não há qualquer escassez de culpa em meio às nossas estrelas.

*Título da postagem também foi retirado do livro.

E tem tantos outros trechos que eu gostei que seria impossível escrever todos sem escrever a história toda. Minha opinião: Não leu o livro? Leia! Não é um romance bobo ou adolescente demais, na verdade não sei descrever melhor essa história que incrível, engraçada, romântica e brutal.

Vou sentir saudades dos personagens.