Mostrando postagens com marcador Opiniões aleatórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Opiniões aleatórias. Mostrar todas as postagens

01 outubro 2013

Guerras Íntimas


Mas ninguém sabe das minhas guerras. Das batalhas intermináveis que insistem aqui dentro. Nem todos os olhos são espelhos da alma, os meus são enganosos, as vezes acredito serem da oposição. Você pode acreditar ver uma alegria genuína neles, mas se não prestares bem atenção não poderás escutar as bombas que explodem dentro da minha alma, e das granadas que estouram em silêncio enquanto solto a respiração. Ninguém sabe que em dias de guerra Renato Russo jamais esteve tão certo ao proferir que cada estrela parecerá uma lágrima. Meus sonhos são mortos pelo gatilho e ouço os estilhaços caírem ao chão. Tento esconder o conflito e instaurar a paz, mas nem sempre é possível, e sempre é exaustivo. É triste lutar em uma guerra obrigada, onde você sabe que não saíra vencedores. Só vencidos.

Tento que minha guerra não atinja pessoas inocentes, mas elas são pegas as vezes, e sinto o peso de cada uma delas a me afogar. Uma alma pesa bastante sabe? Um momento perdido, por mais que sejam só alguns momentos, me pesam demais. Ninguém nunca se acha em combates afinal querido, só se perde. Entenda agora o porque mal nos encontramos e já estamos nos perdemos. Essa é minha guerra. 

Ninguém entende das flores que tentam sobreviver todos os dias em meio ao meu caos. Ou dos passarinhos que fogem das minhas sirenes. Das famílias destroçadas e desejos aniquilados. Estrelas cadentes que deram lugar para bombas. Do cheiro de infância morta naquele uniforme velho. De como minhas pernas ficam fracas mas permanecem em pé porque ainda não quero desistir, porque ainda existe uma pequena parte de mim que acredita na restauração da paz aqui dentro. Essa pequena parte de mim que suspira quando os tiros silenciam e é possível olhar o céu. Uma voz que quase grita por uma liberdade inventada. Mas livre e sincera. Porque por mais que eu viva em guerra sonhos ainda nascem comigo todos os dias, e eu os vejo morrer todas as noites, fracos e tristes. Tenho túmulos para cada um deles. Mas eles ainda nascem e eu ainda acordo. E é por isso que a paz ainda grita no meu peito, uma voz que nem minha própria ditadura pode impedir. É a voz de quem acredita no poder dos sobreviventes, acende velas para os sonhos emoldurados nas paredes e ainda escreve porque acredita que poesia pode superar holocaustos. 

Você sabe o que cada livro lhe conta, mas não aqueles mínimos detalhes e histórias que se perderam entre canhões e espadas, não cada sentimento vivido e suportado. Assim também é conosco. Sempre existe uma guerra cósmica atrás de nossas pupilas, com dores e sonhos tão grandes quanto a vida de alguém. Mas ninguém sabe de nossas guerras internas. Ninguém se comove com elas. E só nos resta sofrer em silêncio e sobreviver a mesma luta todos os dias. E ninguém é covarde ou corajoso por decidir interromper sua guerra antes. São lutas diferentes, todas importantes, nenhuma possível de julgamento. Não por nós. Não sei por quanto tempo aguentarei, é quase como cultivar flores em terras áridas, um dias elas não sobreviverão mais. Mas enquanto elas brotarem, continuarei suportando minha guerra.

Esse texto é em homenagem a quem trava guerras diárias contra si e dentro de si. Por que ninguém jamais entenderá nossas explosões e o quanto elas ardem ou como é difícil forçar um sorriso depois delas. Ou cada lágrima que seguramos pelos nossos sonhos mortos todos os dias sem levantarmos suspeitas. Somos guerreiros, mas ninguém sabe disso. 

05 agosto 2013

Ausências que me fazem companhia


E quando nada mais parece fazer sentido e o vazio se torna audível, você se permite sentir a tristeza. Ela te conforta, anunciando um fim para os seus problemas, prevendo uma escuridão total em vez de metades de luz. Metades são agoniantes, o eterno sentimento de estar no meio de uma bifurcação e não saber que caminho seguir, dúvidas sempre foram as respostas. Por isso ela se deixava ser tomada pela tristeza, não a temia. Tristeza é como um poema decorado, uma rotina, um vício, quando você se familiariza por ela percebe que ficar triste é um método de fuga. Tristeza é como uma dor muito forte, no começo você sente, mas depois você entra em um estado dissociativo, como se seu próprio corpo estivesse fabricando morfina para aquela dor invisível, então você deixa de sentir. Deixa de sentir a tristeza, mas deixa de sentir também a vida.

É uma droga, essa conformidade, sabe? Um círculo vicioso. Por mais que você fique desesperado, algo lhe repete a mesma ladainha, que nada irá mudar, deixe então a tristeza te levar. E você deixa. Deixa que ela invada seu corpo e abuse dos seus sentidos, lhe faça de boneca de pano, te dobre, estique e espreme. Você não é você. E enquanto esse torpor durar, você estará salva. Porque algumas dores são redenções. E dói tanto que você já não é capaz de sentir mais nada.

Mas isso também é efêmero. As vezes a tristeza se entrelaça com a loucura, a agonia. E de triste você passa a ser também suicida, carente e sacana. E você sente novamente. De uma maneira muito mais forte agora, a falta de sentido deixa de ser um calmante para virar um terror lhe assombrando as entranhas. Há contradição em cada parte do seu corpo, enquanto você se finge de cego. Sentir se torna quase insuportável, e o ceticismo faz sua morada. Sentir é pedir socorro e ao mesmo tempo afastar quem vier ajudá-la a sair do abismo. Somos egoístas, engolimos nossos medos para depois vomitarmos na cara de quem se aproximar.

Sentir é fugir, querendo ficar. É chorar querendo berrar. É xingar com palavras duras achando que são elogios. O meu sentir é incoerente e flerta com a loucura. E aquele vazio que de dia lhe abraçou e protegeu, agora te destrói e dilacera. Assim como você faz com os outros. A dor que você quer infingir muitas vezes é aquela que você sente demais. Então você começa a fugir de si mesmo, ao mesmo tempo que corre para a tormenta. Mas você sabe a verdade o tempo todo, porque embora sua sanidade tenha pulado de um prédio, ela ainda vive. É como a lenda do pássaro com o espinho cravado no peito e segue uma lei imutável pois não há consciência nele do morrer futuro, então limita-se a cantar e a cantar até não lhe sobrar vida para emitir uma única nota. Só que nós, quando enfiamos o espinho no peito, bem sabemos. Compreendemos. E mesmo assim fazemos. 

Existem pessoas que vivem fragmentadas, a emoção, a razão, o saber e a compreensão trabalham de maneira separada. Como máquinas, só que sem ligação ou com uma ligação muito falha. Então quando você se apunha-la, compreende tal ato, mas não é capaz de impedir. Luta com seus demônios sabendo que são partes de você e acaba se atirando no abismo tentando se salvar. 


08 junho 2013

Gritos de Socorro


Fico me perguntando quando que as pessoas irão perceber que um pedido de socorro vai além de um grito de desespero, podem estar nos sorrisos, nas expressões, e até mesmo nas piadas. Um pedido de socorro pode ser tão silencioso quanto a solidão. Mas existe um ruído, poucas pessoas são capazes de perceberem o que as palavras não traduzem. Tenho medo dessas pessoas porque também sou uma delas e não quero que percebam o quão perdida e precisando de ajuda que estou. Como preciso de algo, de alguém, de um sentido, de uma cura de mim mesma. Tenho ódio e amor por quem me percebe. Quero gritar silenciosamente sem ser incomodada, quero me afundar no abismo que cavei, mas também quero ser salva. É por isso que afasto quem eu amo. É por isso que apenas uma pessoa me restou. Ou me aguentou. 

Minha culpa está em saber, em perceber, em entender o que sou, mas nada fazer para mudar. Meu conhecimento me pressiona e não cansa de implantar questionamentos e discursos sobre tudo. Principalmente sobre mim. Gostaria de não ter aprendido tudo que aprendi, gostaria que minha cabeça se calasse e que meu corpo me obedecesse. Queria ter vontade de algo.

Até hoje ninguém me decifrou. Mas eu já me entendi. Sou apenas uma realidade mais intensa da vida, um universo de sentimentos emaranhados. Mas não se engane, não sou poética, sou um texto mal escrito nas paredes de um banheiro público. Não preciso de análise, já fui analisada por mim mesma demais. Se descobrir não melhora porra nenhuma, já sei o que sou, sou a confusão, a dualidade, o nada, e subitamente, o tudo. 

Minha cor favorita? Todas, ou nenhuma. Meu livro favorito? Muitos, cada dia eu acho um. 

Ser uma incógnita também é resposta. Então aí estou eu: céu, inferno e vazio. 


18 fevereiro 2013

Sem ideia para títulos bons

Mais um livro que li no formato de ebook, na verdade faz tempo que não compro livros impressos, mas contanto que eu leia não me importo muito. Esse livro eu encontrei pela internet, foi uma tradução feita por fãs e foi muito bem feita, não é muito difícil de encontrar para quem quiser ler também.

Eu gosto de livros engraçados, mas que contenham uma história de verdade, que tenha momentos dramáticos também, porque apenas engraçado seria muito fora da realidade, e eu gosto de livros reais. Não que eu não goste de livros de vampiros ou coisas impossíveis do tipo, mas eu quero que os personagens e sentimentos sejam o mais real possível, o mais vivo possível, só assim eu realmente consigo me prender na história. 

Ultimamente tenho procurado livros diferentes e lançamentos, não sou adepta da leitura de grandes clássicos e pra falar a verdade detesto a maioria dos livros obrigatórios para o vestibular ultimamente, mas enfim, voltando ao livro, The Duff não possui título em português pois só tem sentido em inglês, é uma sigla para: Designated Ugly Fat Friend, que significa, já explicando, uma menina que seja a mais feia do seu grupo de amigas, na verdade nem precisa ser feia, apenas mais 'normal'. Todos os grupos de amizades possuem uma menina que não chega a ser tão linda como as outras (de acordo com o livro, na minha opinião beleza é relativa e muitas vezes o que eu acho mais bonito você pode não achar e vice versa, por isso esse apelido não faria sentido no geral, pois existiram diversas The Duff's de acordo com cada pessoa). É dessa menina considerada 'menos pegável' pelos outros meninos (infantis) que eles se aproximam, pois como o próprio livro fala, uma vez amiga da considerada The Duff, conseguir alguma das amigas mais bonitas seria mais fácil.

A história se passa com a protagonista Bianca Piper, a considerada The Duff na história. Embora na realidade ela não seja feia, apenas suas duas melhores amigas eram realmente muito bonitas (de acordo com a visão dela, pois é quem conta a história), o que a deixava sempre em segundo plano. Mas isso não deixa Bianca triste, na verdade ela consegue rir da própria situação, é muito irônica (adoro protagonistas irônicos), leal com as amigas, muito inteligente e divertida. Eu queria uma amiga como ela, se fosse real.

No meio disso, um garoto se aproxima para falar com ela, ele é considerado o mais galinha da escola e ela obviamente, como não é como as outras meninas, não o trata como as outras, não tenta impressionar e é tao verdadeira que dá vontade de dar um abraço. Fora todos esses momentos engraçados existe muito drama também, como a família de Bianca, que como a maioria, tem os seus problemas, assim como as outras. No livro você entende que mesmo aquela menina ou menino mais perfeito tem algum tipo de problema e que você não deve julgar ninguém pela aparência, decisões e até mesmo comportamento, pois você não sabe o que realmente acontece, e que mesmo que você se ache feia e ache sua amiga maravilhosa, as vezes essa amiga pensa a mesma coisa de você, e outros meninos também, beleza é relativa (embora tenha padrões, não vamos ser hipócritas). Essa é a lição mais bonita que o livro me trouxe, e tudo isso sem parecer clichê  Por ser um livro mais adolescente o autor não se aprofunda nas cenas de sexo, mas existe o assunto no livro e pelo menos não é abordado de maneira superficial e puritana como no resto dos livros adolescentes.

Eu li o livro em um dia, é uma leitura fácil e como a história é interessante eu tenho essa mania idiota de não parar de ler até acabar o livro (ou porque eu não quero voltar pra realidade, mas isso é outra história). Virou um dos meus livros favoritos.
Dados do livro:

Autor: Kody Keplinger
Editora: Litle Brown
Páginas: 288
Nota: 5

Sinopse: Bianca Piper tem 17 anos, é leal, cínica, e não acha que nem de longe é a mais bonita de suas amigas. E ela também é esperta demais para cair no papo de Wesley Ruch, o cara gato da escola. Na verdade, Bianca o odeia. E quando ele a apelida de Duffy, ela joga Coca Cola na cara dele.Mas as coisas não estão muito bem em casa agora. Desesperada por uma distração, Bianca acaba beijando Wesley. E ela gosta. Ansiosa para escapar, ela se joga em uma relação —inimigos com benefícios— com Wesley. Até que tudo fica terrivelmente errado. Acontece que Wesley não é ouvinte tão mau, e sua vida é bastante confusa também. De repente, Bianca percebe com horror absoluto que ela está apaixona pelo cara que ela achava odiar mais do que ninguém.

11 fevereiro 2013

Pode me ajudar a viver como a pessoa que realmente sou?

Me rendi ao ler Cante Para Eu Dormir. Foi um livro que acabou com as minhas barreiras, que quebrou minha realidade e me atingiu, e eu que não gosto muito de dramas repetitivos me vi conquistada por esse drama em particular. Não me entendam mal, não é que eu não goste de bons dramas, na verdade um bom e estruturado drama e suspense que da vida a um livro, mas existem dramas daqueles do tipo "sessão da tarde", muito romance sem graça, muita repetição de clichês e assim por diante, são esses que eu não gosto e confesso que antes de começar a ler esse livro eu quase achei que poderia ser um livro nesse estilo. Não é. 

O drama é bem formado, os textos são bem feitos, os personagens, principalmente a protagonista, é extremamente real, e cada sentimento é dito de uma forma que acabamos sentindo isso também.


Livro: Cante Para eu Dormir
Autor: Angela Morrison
Páginas: 353
Editora: Pandorga
Nota( de 1 à 5): 5
Lido como ebook

O livro conta a história de Beth, que desde criança sofreu muito bulling e foi considerada diferente e feia por seus colegas, isso a deixa com uma auto estima extremamente baixa, e ela simplesmente aceitava os insultos por achar que merecia. Essa primeira parte do livro me deu raiva, em parte porque sei que isso acontece, sei que é real, em outra porque também sei o que é auto estima baixa. Eu queria socar todos aqueles colegas dela, sério. 

Mas Beth, ao contrário de muita gente, se reergueu, se reconstruiu, não só fisicamente, mas mentalmente, e tudo devido a sua linda voz. Na metade do livro tem umas partes meio chatinhas, por exemplo, fala muitas coisas sobre música, detalhes que alguns leigos (como eu) podem não entender ou achar entediante, mas nada que prejudique a história ou chegue a tirar a atenção do leitor. E os capítulos finais é que são realmente tristes, como uma facada, se você realmente está dentro da história não tem como não se emocionar. É incrível esse poder que alguns livros tem, de te tirar da realidade e te provocar uma tristeza e saudade tão profunda com os personagens que o final de um livro vira uma depressão por saber que acabou. Cante para eu Dormir é um desses livros e obviamente virou, junto com outros títulos, um dos meus livros favoritos.

Se você não curte drama e prefere mais fantasia, etc, acho que esse não é o livro que você irá amar, mas se você gosta de livros reais, sentimentais, impactantes, como eu, então esse livro com certeza será perfeito para você! Eu li tudo em apenas uma madrugada, mas não façam isso a menos que queiram ter uma dor de cabeça terrível no outro dia.


Alguns trechos:

Você pode ser o garoto que me salvará?
Pode ser o garoto que me fará cantar?

Pode me ajudar a viver como a pessoa que realmente sou?

Se for embora, leve-me com você,
Pegue a minha mão.
Se for embora, leve-me com você,
Pegue a minha mão.

- Seu coração. É tudo que quero. É a melhor coisa que você pode me dar.
 - Você o roubou antes mesmo de nos conhecermos.
 - Não quero ser uma ladra. Quero que seja dado por você. Seus braços me apertam e sua boca toca a minha outra vez.
 - É seu, Beth - suas palavras fluem em minha alma e me entrelaçam em um monte de nós. 
- Você sabe que é seu.


Ele me deixa assustada. Eletrizada. Confunde totalmente meu senso de direção. No alto das árvores. No chão. Nas luzes do palco. Em seus braços. Não faço ideia de onde estou.

O amor pode acompanhar seus pensamentos para sempre,
Como uma linda canção,
Repleta de saudades.

Gosto do fato de você não saber o quanto é boa, o quanto é linda e o quanto é pura e sincera.


* Título do post foi retirado do livro.

Living Dead Girl

Living Dead Girl é um livro de Elizabeth Scott, aqui no Brasil tem a tradução de Menina morta-viva e já está disponível para venda. É uma leitura pesada, crua, real, o estilo de escrita que mais aprecio, porque me faz sentir, e quando se trata de livros e histórias acredito que os melhores livros são aqueles que mexem conosco, seja da forma engraçada, triste, etc. E foi isso que aconteceu com esse livro. Primeiro temos um tema tabu, embora recorrente infelizmente na nossa realidade, que é a pedofilia, é um tema que pode ser muito explorado e não serve apenas como informação, mas como ensino pois pedofilia não é um vampiro ou uma bruxa, ela é real e provavelmente está mais perto do que você imagina.

Título: A Menina Morta-Viva
Autor: Elizabeth Scott
Páginas: 172
Nota (de 1 à 5): 4
Lido como ebook.


A história é narrada por Alice (que na verdade não é o nome dela, mas não vem ao caso) que é uma adolescente de 15 anos que havia sido raptada aos 10 anos e vivia desde então com seu sequestrador que a estuprava e a feria psicologicamente e fisicamente todos os dias.

A escrita são como os pensamentos dela, e como alguém que foi violado desde criança você pode imaginar que não é algo bonito, seus sentimentos se confundem e em alguns momentos não deixei de pensar que a maldade parece uma doença, ela já estava com seus pensamentos tão confusos que muitas vezes chegava a ter algumas características e pensamentos do seu próprio sequestrador, que por sua vez, era um homem muito perturbado  havia sido também molestado e ferido quando criança, dava para sentir a maldade dele, como se ele fosse apenas isso e cada vez que estuprava Alice, ele passava um pouco disso para ela e ela sabia isso, sentia isso e também confessava seus sentimentos sombrios, como o de ajudar a capturar outra garotinha para seu sequestrador para que ele estuprasse essa garotinha em vez dela. Embora ela sentisse o mal e como estava ferida psicologicamente e mesmo com tanta tristeza e maldade no livro, ela consegue fazer sua escolha (que eu contaria aqui mas daí vou acabar contando um dos principais fatos do livro).

Não é um livro longo, na verdade esse foi um ponto que não gostei, os capítulos são pequenos e enquanto alguns momentos são descritos com detalhes outros são meramente mencionados. Alguns fatos são repetitivos, mas não é algo que eu critique exatamente já que uma menina perturbada iria ter pensamentos conturbados e repetitivos também, uma narrativa perfeita estragaria o tom real do livro. 

O final poderia ter sido mais explorado, e quando você acaba pensa 'droga, esse é o fim?', mas depois vem aquele pensamento 'o fim combina com o resto do livro, talvez um fim mais elaborado estragasse a crueza da história no geral'. Acho que a autora poderia fazer uma continuação no mesmo estilo, mas acho que não será o caso desse livro, geralmente eles são únicos  como se escrever mais fosse romper a história ou algo assim, em alguns casos pode ser, em outros não.

"A escuridão estava pressionando contra meu corpo como o Ray faz durante a noite. Impossível de parar. A noite é assim. O Ray é assim. E não sou nada contra eles. Contra ele. Eu nunca fui. A pequena Alice, completamente vazia, tão fácil de ser quebrada em milhões de pedaços. Eu já fui quebrada e remendada tantas vezes que nada mais funciona direito."  

Como percebem pelo trecho acima, não existe palavras sexuais e atos detalhadamente explícitos  mas deixa claro o que está acontecendo e o que a menina sentia no momento, e isso torna o livro mais perturbador ainda.

" - Você vai vir para casa? 
- Eu vou para casa. - Eu falei. 


E foi quando eu soube que nunca mais iria para casa, aquela era somente uma palavra, que não significava nada. Naquela época eu senti o que era uma perda, e foi como morrer. Eu estava morrendo, e quando Alice nasceu, aquela pequena garota de contos de fada, que há muito tempo eu fui, desapareceu. Ela se tornou uma história, uma que quase esqueci completamente. Uma que não posso terminar, por que ela morreu há muito tempo atrás."  

Esse trecho foi um dos que mais mexeram comigo, perceba o momento em que a escuridão nasce dentro dela, em que a infância e inocência foi roubada, dá pra sentir  com ela isso, a própria morte estando viva. Ela mesma se auto divide em duas pessoas, a pessoa que ela era antes de ser raptada e a que ela se tornou agora, como se fossem duas pessoas distintas.

Sinopse: Era uma vez, eu era uma menininha que desapareceu.
Era uma vez, o meu nome não era Alice.

Era uma vez, eu não sabia como tinha sorte.
Quando Alice tinha dez anos, Ray levou-a de sua família, seus amigos, de sua vida.
Ela aprendeu a desistir de todo poder para suportar toda a dor. 
Ela esperou que o pesadelo acabasse.
Alice agora tem quinze e Ray ainda a mantem com ele, mas ele fala mais e mais da sua morte.
Ele não sabe que isso é o que ela anseia.
Ela não sabe que ele tem algo mais assustador do que a morte em mente para ela.
Esta é a história de Alice.
É uma que você nunca ouviu falar, e que você nunca, jamais esquecerá.

A sinopse é muito boa também, foi isso que me atraiu em um primeiro momento pois dá pra perceber que se trata de um livro forte, real, cru e confuso, que nessa história contribuiu para melhorá-la, uma história linear e pensamentos limpos transformaria a história em uma fraude pois a narradora sendo uma pessoa perturbada emocionalmente a sua narrativa também deve ser, e nisso a autora acertou em cheio.


Foi um dos melhores livros que li, vocês podem achar estranho o fato de um livro tão pesado me agradar, mas não é isso, é a narrativa, os sentimentos, a realidade. Não existe fantasias, não existe romances nem finais perfeitos, apenas a realidade confusa de uma menina machucada. É o tipo de livro que te tira do seu mundo e transporta para os sentimentos do protagonista, a maioria não gosta disso, já eu é uma das coisas que mais valorizo nos livros, o fato de me fazer sentir o drama, ou a piada ou a tristeza, não importa, apenas que me faça sentir.

10 fevereiro 2013

*A escrita não ressuscita. Ela enterra*

Como estou em uma fase de ler muito e escrever pouco (na verdade eu nunca escrevi muito, só penso demais, e as vezes consigo organizar as idéias em um texto, mas na maioria das vezes não) resolvi falar um pouco dos muitos livros que leio, além de resenha terá trechos que achei interessante, etc. Na verdade sempre quis fazer algo assim para ter para eu mesma uma lembrança dos livros lidos, gosto de ter anotado e organizado porque geralmente me atrapalho depois em conseguir lembrar de alguns livros, e acabo esquecendo aquele sentimento que tive ao ler aquele livro em especial, então escrever aqui será a melhor maneira de manter isso comigo. 

Vou começar com um livro que me marcou bastante, acabei de ler ontem e foi, sem dúvidas, um dos melhores livros que já li, segue as informações:


Título: A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Nota (de 1 à 5): 5
Lido como ebook.

Sinopse: A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.



Para ser sincera eu não apostava muito nesse livro, sei que seria bom pela quantidade de críticas positivas que li, mas pela sinopse pensei se tratar de um romance adolescente demais e que não me agradaria, já que não curto muito romances fofos e muito drama sem nexo,. Me enganei feio! E eu adorei ter me enganado, na verdade esse é a melhor coisa de se ler um livro, é aquele sentimento de 'poxa, eu estava errada' e 'merda, to viciada nesse livro', esse tipo de coisa. 

No caso desse livro, comecei amando desde a primeira página. Adoro livros narrados em primeira pessoa, e gosto ainda mais quando o personagem principal, quem conta a história, é fiel à seus próprios sentimentos, falando palavrão e admitindo seus pensamentos mais profundos ou que seriam errados, e esse é o caso da personagem que conta a história, a Hazel Grace. Ela tem uma vida de merda na verdade, tem câncer e tem plena consciência que irá morrer logo, ela não fantasia isso, e muitas vezes admite a vontade de morrer e desaparecer logo, é sincera consigo mesma e consegue fazer piadas e ironia da própria vida, e essa ironia é o diferencial nessa história, existe partes muito engraçadas, partes que você vai morrer de vergonha também, enfim, não é só tristeza, na verdade ela só aparece mais no final, mas então vem tão forte que é melhor você estar preparado.

O outro personagem, que faz par com a Hazel, é o Augustus (Gus), é outro muito parecido com a própria Hazel e também doente, engraçado e irônico. É um daqueles personagens que acabamos desejando que se torne real, porque a maneira retratada dele nos faz quase sentir como se realmente fosse. Queria falar mais mas não quero estragar e contar demais.
Tem imagens muito legais na internet feita por fãs, a que eu mais gostei e ficou perto da imagem que eu mesma fiz dos personagens, foi essa:


O que eu mais gostei do livro? A sinceridade do personagem, a maneira em que o autor do livro conseguiu misturar tantos sentimentos em apenas uma história, é alegria e tristeza genuína, não é forçado, e a ironia torna tudo muito melhor pois a visão do câncer e da história de amor foi narrada de maneira diferente por causa desse diferencial. A 'mocinha' não é uma coitadinha 'água com açúcar'  ela é quase real, com defeitos e qualidades. Também adorei o final, mesmo muitos dizendo que deveria ter uma continuação, eu acho que não, o livro é fiel a sua história, não fantasia milagres ou finais felizes, é simplesmente real, não sei descrever melhor que isso. Na verdade, o final é a melhor parte se tratando de emoções, chorei muito e quando acontece isso é porque o livro conseguiu me tirar da minha realidade e me fez sentir cada linha, cada palavra, e na minha opinião de leitora, é esse o objetivo de todos os livros.

Alguns dos melhores trechos do livro:

Não dá para escolher se você vai ou não se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo.

Contei ao Augustus a versão resumida do meu milagre: diagnosticada com câncer de tireoide em estágio IV aos treze anos. (Não contei que o diagnóstico veio três meses depois da minha menstruação. Tipo: Parabéns! Você já é uma mulher. Agora morra.).

Nada é fácil nisso tudo para nenhum de nós, mas é preciso levar a vida com algum humor.

O verdadeiro amor, nasce em tempos difíceis.

“Alguns infinitos são maiores que outros.”

Aparentemente, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos.

Queria não ser uma granada, não ser uma força malévola nas vidas das pessoas que amava.

Sem dor, como poderíamos reconhecer o prazer? A existência do brócolis não afeta em nada o gosto do chocolate.


Ele não era perfeito nem nada. Ele não era um príncipe encantado de conto de fadas, e tal. Tentava ser assim às vezes, mas eu gostava mais dele quando essas coisas desapareciam.

Você está tão ocupada sendo você mesma que não faz ideia de quão absolutamente sem igual você é.

-Sinto muito — falei de novo.
-Eu também — ele disse.

-Não quero nunca fazer uma coisa dessas com você — falei para ele.

-Ah, eu não ia me importar, Hazel Grace. Seria uma honra ter o coração partido por você.

E se a vida for feita de momentos? E se nós não agarramos o momento? E se outro momento nunca vier?

Parecia que tinha sido, tipo, há uma eternidade, como se tivéssemos vivido uma breve, mas infinita, eternidade.



Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como Uma Aflição Imperial, do qual você não consegue falar - livros tão especias e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição.

[…] a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.

Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. […] Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre.

Meus pensamentos são estrelas que não são capazes de penetrar nas constelações.



[...] e nunca Shakespeare esteve tão equivocado como quando fez Cássio declarar: “A culpa, meu caro Bruto, não é de nossas estrelas / Mas de nós mesmos.” Fácil falar quando se é um nobre romano (ou Shakespeare!), mas não há qualquer escassez de culpa em meio às nossas estrelas.

*Título da postagem também foi retirado do livro.

E tem tantos outros trechos que eu gostei que seria impossível escrever todos sem escrever a história toda. Minha opinião: Não leu o livro? Leia! Não é um romance bobo ou adolescente demais, na verdade não sei descrever melhor essa história que incrível, engraçada, romântica e brutal.

Vou sentir saudades dos personagens. 

30 abril 2012

Quantas pessoas você destruiu hoje?

Destruímos muitas coisas pelo caminho. Pessoas são tão frágeis como uma flor. A diferença não está em não deixar se destruir, e sim conseguir voltar a vida quando só sobraram as raízes.


05 novembro 2011

Da primeira pessoa do singular

Faz tempo que não me arrumo mais, e mais tempo ainda que não corto meu cabelo, ou sequer entro em um salão de beleza (nome um tanto idiota, sempre me senti mais feia quando saía de lá). Não uso saltos, nem vestidos, ou qualquer roupa que mostre demais a minha palidez. Tenho evitado encontros familiares à anos, e me afastei de todas as pessoas que conheci. Hoje posso dizer, com pesar, que não tenho nenhuma amigo de verdade. 
Não entrei em uma faculdade e muito menos comecei a trabalhar. Meu corpo continua o de uma criança, e boa parte de mim também. Sou um tipo de Peter Pan velho demais. Me cobram resultados, amores, conversas, atos. Esperam uma mudança de mim. Esperam que eu me arrume e corte o cabelo, me torne mulher com salto e vestido, tenha amigos e algum trabalho, que festas façam parte da minha rotina, que eu coma de maneira saudável e que não fale mais palavrões.
E nada disso parece fazer sentido pra mim. Nada disso me parece racional.
É que eu sempre soube, meu mundo não é aqui.

"Não se enganem, inspiração é um dia frio de inverno, não brilha, não esquenta, não trás sossego. Despedaça."


30 julho 2011

Julgamentos

Eu não me lembro precisamente quando me exclui do mundo e decidi que aqui não era o meu lugar, só sei que de repente as coisas deixaram de fazer sentido, as pessoas me cansavam, as atividades me desanimavam e apenas ela, a solidão, me permitia alguma coisa, algum alívio. Antes eu me achava completamente diferente de todos, maluca, alienada, condenada a carregar essas impressões do mundo e da vida que apenas eu tenho, mas então eu percebi que todos são assim, só os métodos mudam. Antes eu julgava sem saber que atrás de cada ato existe uma história, sentimentos, uma pessoa. Não julgo mais. Estamos todos sempre tentando fazer o melhor, mesmo quando erramos, cometemos pensando que estamos fazendo o melhor no momento, ou apenas seguindo o curso da vida. Quando eu percebi o quanto era igual ao diabo foi que eu tive um vislumbre do que poderia ser um Deus. Justo eu, tão crítica, consegui entender ou então apenas aceitar. Assim como aceitei quem eu sou consegui aceitar essa solidão e não mais correr atrás de pessoas que nunca me notaram, não espero mais aprovação e falarei o que eu bem entender porque veja bem leitor, eu me aceitei, e apenas a minha opinião e como eu me sinto com isso é que realmente importa. Eu, como juíza dos meus atos, me absolvo.
~

É, muitas idéias confusas em um mesmo texto,  essa sou eu.

06 maio 2011

Sobre o veneno que escorre em minhas palavras

Poucas pessoas gostam de ler textos escuros e tristes, que doem por dentro como uma faca cortando para fora. Meus textos são assim, crus, duros, reais. Escrever para mim é como um sofrimento seguro, me doer sem que outros percebam, me auto-mutilar sem que de louca eu fosse chamada. Minhas palavras saltam nos abismos da minha mente e voam para fora de mim sem que eu possa controlar, são ácidas e intocáveis, são como um suicídio premeditado em seus mínimos detalhes, como a tristeza do fim e a ilusão do começo.   

Percebem como meus textos fogem do padrão de textos adorados atuais? Eu não cultivo o amor não correspondido, não idolatro Deus, não falo em esperança, não palavreio frases clichês e não tenho vergonha de mostrar meu lado negro. Você pode me pedir para ver a alegria nesses dias monótonos, e eu vejo, só que ela não pertence a mim, são como as estrelas, tão mencionadas nesse blog, que me fascina. posso admirá-las mas jamais serão minhas. Não me entenda mal, eu não me queixo da vida, não odeio o meu mundo,só falo o que eu vejo e sinto, sem remorsos, sem dores maiores, sem vergonha resultante. Gosto de criticar, como uma juíza que já foi condenada, prefiro não me olhar no espelho, prefiro fugir dos meus erros, prefiro me enterrar na fantasia. Essa sou eu, como um café forte que lhe queimará sua garganta, como uma faca afiada que lhe arrebentará suas entranhas, como a ilusão da alegria que nunca será sua. Não pertenço a mim, não pertenço a você, talvez seja por isso que ninguém nunca me teve, fugir é meu outro nome, adiar é o que faço de melhor. Posso ser a dor, mas você gosta de sofrer, posso ser o sangue que você admira a escorrer, sou o êxtase do fim, o veneno que sempre destruiu tudo ao seu redor, um veneno diferente, daqueles que param de funcionar quando você anseia pelo fim, daqueles que lhe dá a vida como castigo. Veja bem, eu não mato, eu só dou a proteção do sofrimento de minhas palavras e deixo você despedaçado como eu. Não, não é egoísmo, sou apenas eu.

E envenenar-se é necessário, tanto quanto amor ou a doce e velha esperança, pois a alegria de viver é como um veneno mortal disfarçado de vinho tinto. Tudo é questão de dosar a dor, a morte, pena que eu perdi meu conta-gotas. 


Cale suas interrogações sobre mim. As respostas estão aqui. Leia-me. Não fujo mais e nem temo.

02 maio 2011

Somos seres desprezíveis

   Somos seres tão idiotas. Nós humanos, temos a mania de grandeza e certo orgulho descabido que não permite, no decorrer do dia, notar que somos meros grãos de areias, minúsculas e perdidas, em uma imensidão incalculável. Nos achamos superior porque conseguimos montar tecnologia e bombas. Dizem que os humanos são os únicos seres vivos que sabem que sabem que vão morrer, aposto que você já ouviu isso naquela aula de história monótona em que você se preocupava mais em dormir do que escutar o mundo ao seu redor. Chamam isso, esse negócio de saber da morte e filosofar, de dom, que imbecilidade e ingenuidade! Poucos sabem que isso não é dom porra nenhuma, é um castigo dados há nós, seres que se acham os melhores, para entenderem que não passam de merdas insignificantes em um mundo que provavelmente estaria melhor sem a nossa existência.


24 abril 2011

Talvez minha honestidade te ofenda

Uma boa dose de felicidade e amor ilusório pra você também. E não adianta tentar se redimir em dia santo, só humanos sentem pena, Deus não.

01 abril 2011

Só a verdade me liberta

       Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações. O meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões. Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa polícia e televisão. Vamos celebrar nosso governo, e nosso estado que não é nação. Celebrar a juventude sem escolas, as crianças mortas. Celebrar nossa desunião. Vamos celebrar Eros e Thanatos, Persephone e Hades. Vamos celebrar nossa tristeza, vamos celebrar nossa vaidade. Vamos comemorar como idiotas, a cada fevereiro e feriado.Todos os mortos nas estradas, os mortos por falta de hospitais. Vamos celebrar nossa justiça, a ganância e a difamação. Vamos celebrar os preconceitos, o voto dos analfabetos. Comemorar a água podre, e todos os impostos, queimadas, mentiras e seqüestros. Nosso castelo de cartas marcadas, o trabalho escravo, nosso pequeno universo. Toda a hipocrisia e toda a afetação, todo roubo e toda indiferença. Vamos celebrar epidemias, é a festa da torcida campeã. Vamos celebrar a fome, não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar. Vamos alimentar o que é maldade, vamos machucar o coração. Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos. Tudo que é gratuito e feio, tudo o que é normal. Vamos cantar juntos o hino nacional. A lágrima é verdadeira, vamos celebrar nossa saudade, comemorar a nossa solidão. Vamos festejar a inveja, a intolerância, a incompreensão. Vamos festejar a violência, e esquecer a nossa gente que trabalhou honestamente a vida inteira, e agora não tem mais direito a nada. Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso, nosso descaso por educação.Vamos celebrar o horror de tudo isto com festa, velório e caixão. Tá tudo morto e enterrado agora, já que também podemos celebrar a estupidez de quem cantou essa canção. Venha, meu coração está com pressa, quando a esperança está dispersa. Só a verdade me liberta, chega de maldade e ilusão. Venha, o amor tem sempre a porta aberta, e vem chegando a primavera. Nosso futuro recomeça, venha que o que vem é perfeição.

Perfeição, por Legião Urbana.