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30 setembro 2011

Nem tudo que acaba aqui, deixa de ser infinito

Não, não sinto sua falta. Mesmo quando tudo parece perdido, quando a esperança acaba, quando tudo parece sem sentido, não sinto sua falta. Não sinto falta de mim, não sinto falta de ti. Sinto falta de quem um dia desejamos ser, e não fomos.


E eu sou, sem você. Quem diria hein.


* título por Zélia Duncan e Edu Tedeshi

12 setembro 2011

O passado é uma roupa que não nos serve mais

Meu aniversário foi um dia chuvoso e escuro de inverno. Não foi muito diferente dos outros anos, mas foi mais solitário, melancólico, e desesperadamente sozinho. Apenas 3 pessoas (contando minha família) me deram parabéns pessoalmente, digamos que não exista muito mais que 3 pessoas na minha vida faz muito tempo. Devia me sentir feliz ao completar 19 anos de vida, mas na verdade eu não sinto nada, e como eu gostaria de sentir! Fico me lamentando do que não fiz e quando percebo se passaram dias, meses, anos, e eu continuo exatamente igual.O que me falta, talvez eu já o tenha, ou sempre tive. Mas o erro permanece. Pensar já não é mais necessário quando se vive parado, assim como eu.  
Terminei meu dia olhando a minha vida que escorria como a chuva nas vidraças, a mesma chuva que se repetia por três dias seguidos, como minha vida, repetida por três anos seguidos. E ao invés de abrir a janela e deixar a vida entrar, me vi novamente procurando por cortinas. Meu desejo incontrolável de me esconder fez com que ninguém mais me achasse. Nem eu mesma.

* Título por Belchior. 

28 agosto 2011

Se não for pra me salvar, deixe-me morrer

 Lembrei-me então de ter morrido, de ter me deixado morrer, não teve enterro, ninguém nem sequer percebeu, talvez porque não tinha ninguém ao redor pra perceber. Pensei em coisas suaves e de cores neutras, como forma de luto pelo meu eu falecido, no meio de tanta escuridão, quem sabe eu veja a minha luz de novo. Parece clichê, admito, me tornei repetitiva, talvez eu deva desaparecer um pouco, sinto que minhas energias se esgotaram, e eu vivo apenas no limiar da rotina. Não posso mais escrever porque não vivo mais, não sinto mais e tenho a sensação de que escrever não alivia mais minha dor.  Queria, nesse momento, ser a perfeita carta de adeus, mas não passo de uma folha em branco, amarelada pelo tempo que fiquei sem viver. Enquanto eu via as pessoas escrevendo nos seus livros, eu destruía minhas lembranças e rasgava minhas histórias. Hoje estou tão vazia e tão leve, que qualquer desapontamento que aparecer de novo vai me levar pra longe, vai acabar de vez comigo. Sou apenas um livro esquecido em uma estante. Ninguém consegue me ler mais.





13 abril 2011

Só me resta andar sob os destroços

     Sentia uma necessidade de viver, mas uma ânsia maior ainda pelo fim. Sentia saudades dos frios na barriga, do esperar algum acontecimento, do antecipar dos atos premeditados, ultimamente o único sentimento resultante fora o eterno tédio e risadas superficiais enquanto brincava com sua vira-lata barulhenta. Pelo menos ainda dava felicidade para seu animal de estimação, e ainda recebia lambidas nas mãos e euforia . Isso a mantia viva, por incrível que pareça, era aquele ser irracional apenas que lhe fazia companhia nos dias solitários.
     Vivendo no marasmo dos sonhos fracassados planejava ressuscitar sem no entanto obter força para isso. Quanto tempo alguém aguenta viver no vácuo dos dias, perdida no tempo? Não sabia responder, e preferia não pensar. A doce menina morrera e o que sobrou foi apenas um projeto falhado de adulto imperfeito. Precisava fazer o enterro de si mesma para renascer em paz.



"A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso. A palavra foi feita para dizer." Graciliano Ramos.

Não espere palavras doces aqui. Minhas palavras não são enfeites. São punhais.

03 abril 2011

Sobre um fato

   Nós sempre fomos tudo o que tínhamos.
   E eu nunca quis que essa lucidez tivesse nos enlouquecido. Sinto muito. 


10 março 2011

Um livro que marcou a minha infância

      
     Desde que me lembro sempre senti um certo encantamento pelas letras e pelos livros, antes de saber ler eu ficava olhando os meus livrinhos infantis com suas letras gigantescas e tentava imaginar que tipo de código era esse e o que queria dizer, achava impossível alguém entender aqueles desenhos minúsculos que diziam formar uma palavra, jurei pra mim, não lembro exatamente quando, que se um dia eu aprendesse seus significados eu leria o mundo!
       Com seis anos aprendi a ler, estava na primeira série e adorava todo aquele processo que me levava a saber o que eram letras, sempre fazia todos os deveres de casa e lia tudo que pudesse, comecei tentando ler o que estava escrito nas propagandas até que conseguia ler tudo de uma maneira tão rápida que até a professora se surpreendeu. Dos oito em diante eu já lia livros mais complexos, desses que eram só letras e que colega nenhum meu se aventurava para ler, sempre com mais de 100 páginas. Meu primeiro escritor favorito foi José Mauro de Vasconcelos, era literatura juvenil mas eu amava aqueles livros! O primeiro livro que li dele foi um que a minha mãe tinha desde pequena, o livro não estava em bom estado, as folhas eram soltas e as páginas amareladas mas acho que foi isso que me chamou atenção, o tempo que o livro transmitia, eu pensava em minha mãe lendo há anos atrás e ficava toda feliz. Desde então meus pedidos de aniversário eram...livros! Desse autor é claro. O meu favorito, que li aos meus nove anos e me acompanhou durante toda a minha infância foi Meu pé de laranja lima, ganhei de aniversário e li o livro tão rápido que quando acabei chorei porque não encontraria mais o personagem, eu o personificava e o tornava real de tal forma que realmente acreditava que estava ali comigo. 
     Quando eu tinha uns 11 anos eu emprestei o meu pequeno tesouro, o meu livro amado, pra uma amiga, que jamais devolveu, desde então não pude mais relê-lo e lembro poucas partes da história. Eu lembro mais do sentimento que eu sentia quando o lia, como era bom! A história é impregnada de uma ternura singular assim como momentos muito tristes, irônicos e até cômicos. Meu pé de laranja lima marcou minha infância, eu li diversos livros nessa época mas era esse livro que eu vivia grudada. Quem não leu eu aconselho a ler, não é uma história pobre e infantil, ela é rica em sentimentos e muito emocionante e de fácil entendimento. Mais sobre o livro e alguns trechos desta magnífica história:


     Livro: Meu Pé de Laranja Lima
     Autor: José Mauro de Vasconcelos

     
     Descrição: Na obra juvenil mais conhecida de José Mauro, a pobreza, a solidão e o desajuste social vistos pelos olhos ingênuos de uma criança de seis anos. Nascido em uma família pobre e numerosa, Zezé é um menino especial, que envolve o leitor ao revelar seus sonhos e desejos, por meio de conversas com o seu pé de laranja lima, encontrando na fantasia a alegria de viver.


    "Eu olhei assustado e olhei a arvorezinha.

     Era estranho porque sempre eu conversava com tudo,

mas pensava que era o meu passarinho de
dentro que se encarregava de arranjar fala.
    -Mas você fala mesmo?
    -Não está me ouvindo?
   E deu uma risada baixinha. Quase sai aos berros pelo quintal. Mas a curiosidade me prendeu ali.
   -Por onde você fala?
  -Árvore fala por todo canto. Pelas folhas, pelos galhos, pelas raízes. Quer ver? Encoste seu ouvido aqui no meu tronco que você escuta meu coração bater.
  Fiquei meio indeciso, mas vendo o seu tamanho, perdi o medo. Encostei o ouvido e uma coisa longe fazia tique...tique...
   -Viu?
  -Me diga uma coisa. Todo mundo sabe que você fala?
  -Não, só você."


  “...porque a vida sem ternura não é lá grande coisa. Às vezes sou feliz na minha ternura, às vezes me engano, o que é mais comum.”


09 dezembro 2010

Melhores Amigas

      A frase que diz que "se eu perdesse todos os meus amigos, eu não aguentaria", é mentira. Você aguenta, e se acostuma com isso. Mas nem sempre foi assim.

      Eu tive uma melhor amiga, e as melhores coisas que eu já vivi na minha infância, foram com ela. A gente era tão diferente, mas dava certo, e todos os dias planejávamos o futuro estudando juntas, indo pra faculdade juntas... a gente realmente achava que nada iria nos separar, que melhores amigas são pra sempre, que nossas filhas um dia iriam brincar juntas também, pura ingenuidade. Teve um dia que cada uma teve que seguir um caminho diferente, e fomos mudando, talvez com o tempo ou a distância, não sei. As conversas ao telefone foram diminuindo  os assuntos também, cada uma tinha uma vida diferente demais e as idéias se tornaram contraditórias também, nos tornamos meras conhecidas. A partir daí foi rápido o afastamento total, nos perdemos, e hoje estamos tão longe que eu nem mais sei quem ela se tornou, será que sente saudades de mim? Será que fala de mim para as suas novas amigas? Será que se tornou o que a gente havia combinado se tornar?

      Fico com medo de encontrar essa amiga de novo e não ver nela nada do passado, e perceber que nunca mais vamos ser amigas de novo, porque mudamos e não somos mais aquelas crianças cheia de sonhos e esperanças, que realmente acreditavam que tudo daria certo. Esperamos tanto tempo pra virar adulta e hoje eu percebo que o que eu mais queria era voltar pro tempo em que eu tinha amigas, e uma vida também.

     Sinto saudades, as vezes penso que estou falando com você como nos velhos tempos. Por mais que talvez eu nunca mais converse contigo, em algum lugar do tempo sempre vamos ser melhores amigas.

Dedicado a minha melhor amiga, se um dia ela ler esse texto, saberá que é pra ela.



como nos velhos tempos.

(esse texto ficou uma droga, foi mal, não to com vontade de escrever.)

17 novembro 2010

Ainda somos os mesmos e vivemos...

Eu queria realmente voltar a ser criança, tudo era tão fácil, tão mágico e feliz. Mas não somos mais crianças e desaprendemos a viver. Eu tentei pensar em Deus. Mas Deus morreu já faz muito tempo. Talvez se tenha ido com os sorrisos, com os anos, com o sol. Pensei que essas coisas pudessem voltar de repente, seria bonito, mas coisas bonitas já não acontecem mais. Tenho muitas lembranças, eu sou uma delas, me perdi em algum lugar do passado que não volta mais, idealizei sonhos impossíveis e padeci quando as coisas se mostraram difíceis e diferentes. Eu estou aqui, mas não estou, essa dualidade me deixa confusa e eu vou misturando passado e presente, horas sou criança, outras horas velha demais. A verdade é que eu cresci, mas só intelectualmente, na teoria, eu sei muita coisa, sou gigante na frente dos livros e da minha solidão. O problema é que eu esqueci de crescer emocionalmente e não amadureci os meus sonhos. Não posso ser adulta, me tornar adulta, não se pede a uma menina de 13 anos pra sair de casa, eu tenho 18, mas por dentro continuo aquela menina frágil de franjinha que achava que poderia mudar o mundo, que esperava a mãe na porta de casa esperando um chocolate, que brincava de esconde-esconde e queimada, que realmente acreditava em algo, nela mesma.

Eu que jamais me habituarei a mim, gostaria que o mundo não me escandalizasse.


" Eu amo tudo o que já se foi, 
Tudo o que já não é,
A dor que já não me dói,
A antiga e errônea fé. "

(Autor desconhecido)