01 dezembro 2010

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           Enquanto todos apreciavam o calor, o sol e o vento, ela apreciava o frio, o escuro e o inabitável. Sempre fora assim, diferente mas aparentemente normal. Diziam que foi uma escolha própria sua solidão, mas não era, foi só uma consequência dos anos, dos atos, da vida. Como nunca se adaptara com pessoas ao seu redor, se aparecia alguma, ela as afastava, quase sem perceber, mas percebia, e sentia. Enquanto eles iam a festas, dançavam ao sabor da bebida, gritavam com o mundo, eram adolescentes. Bem, ela continuava em seu quarto, detestando todo aquele barulho, só queria o silencio e a paz, mas no fundo ela só queria uma festa de formatura com um vestido delicado e risadas ao redor, como qualquer outra garota. Era velha no seu corpo de menina e era criança no seu corpo de mulher, ela não se pertencia, sempre soubera. Pedia desculpas, mas elas nunca foram audíveis o suficiente e tão pouco surtiram algum efeito.

        A humanidade é podre, e fede a falsidade e felicidade forjada. Todos já se acostumaram com o odor, mal percebem aonde vivem e pra onde vão, e ela sempre de fora, olhava tudo como espectadora inerte. Não fazia nada pra mudar, nem queria que as coisas mudassem, ficar sozinho não é assim tão pavoroso, não existem fantasmas, nem anjos. Do que adiantava afinal tentar ser alguém de boa índole se todos nós vamos parar no inferno afinal? Ela sentia que nunca morreria ou iria pro céu, simplesmente desapareceria, como a neblina na manha de outono. Pedem pra ela sobreviver, e é nesse momento que ela morre.



Eu queria poder salvá-la.

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